O
edifício das termas do Alto da Cividade foi descoberto no decorrer de trabalhos
arqueológicos realizados em 1977.
Foi então identificado parte de um edifício de banhos, interpretado como umas
termas públicas. Interrompidas durante a década de 80, as escavações das termas
foram retomadas nos anos 90 e concluídas em 1999.
Graças a estes trabalhos, foi possível verificar os limites
do edifício, estabelecer a sucessão das principais fases construtivas, perceber
o esquema de circulação e reconstituir a sua arquitectura
e volumetria. Estas termas constituem um interessante exemplo do modo como
funcionavam estes edifícios romanos.
O
funcionamento das termas públicas
As termas eram locais destinados ao cuidado do corpo. Possuíam um conjunto de espaços fechados, reservados aos banhos quentes e frios e às massagens, podendo possuir igualmente áreas abertas, chamadas palestras, onde se praticavam exercícios físicos.
A tecnologia
de aquecimento das termas foi-se aperfeiçoando nos últimos séculos da República,
acabando por recorrer ao sistema de hipocausto, desenvolvido no séc. I
a.C.. Este
sistema implica a existência de câmaras subterrâneas, ocas,
situadas sob os pavimentos, por onde circulava o ar quente produzido numa
fornalha, chamada praefurnium.
A água destinada às piscinas dos compartimentos quentes era aquecida em caldeiras, circulando em canos de chumbo.
O normal funcionamento das termas exigia um espaço onde os banhistas se despiam (apodyterium), uma sala de banhos frios (frigidarium), uma sala de transição entre os banhos frios e quentes (tepidarium) e uma sala de banhos quentes (caldarium).
Fases
construtivas e evolução das termas
As termas do
Alto da Cividade foram construídas nos inícios do séc. II, reaproveitando
parte de um edifício anterior, datado da época de Augusto, ou de Tibério.
Nos finais do séc. II / inícios do III,
verificou-se uma primeira reforma do balneário, sendo ampliada e redefinida
a área de banhos.
A remodelação mais significativa ocorrerá, todavia, nos finais do séc. III / inícios do IV, aquando da transformação da anterior zona quente em zona fria.
As termas sofrerão uma nova reforma em meados do séc. IV, com novas remodelações na área quente, tornando-se o edifício ainda mais pequeno.
Nos inícios do séc. V, época da instalação dos Suevos na região de Braga, o edifício terá sido adaptado a outras funções. A insegurança e os hábitos cristãos, pouco favoráveis à prática de banhos públicos, terão determinado o fim da utilização das termas.